Há muitos mitos e uma enxurrada de propaganda sobre a aprendizagem de línguas estrangeiras. Este texto oferece uma contribuição aos que precisam ou desejam estudar uma língua para fazê-lo de uma maneira mais livre que atenda às suas expectativas.
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| Imagem:Sevenidiomas |
Quando alguém decide fazer um curso de línguas, como inglês, francês ou espanhol, por exemplo, não é incomum ficar perplexo com tantas opções de escolas e institutos de idiomas, todos procurando convencê-lo de que o seu método é o melhor. Para ajudar você nessa difícil decisão, preparamos estas dicas com o objetivo de clarear melhor a questão.
1) A velha história de que a escola tem seu próprio método
Os métodos de ensino de línguas são em geral resultantes de propostas teóricas feitas por linguistas e outros especialistas no ensino de línguas. Isto quer dizer que, em geral, os métodos são produzidos por pessoas ligadas a institutos de pesquisa e universidades. O que as escolas fazem é preparar seu próprio material com base nos princípios dos métodos disponíveis. Para aqueles que trabalham na área, não é muito difícil ter acesso aos estudos que apresentam as teorias necessárias à elaboração dos métodos. Em resumo, duas escolas concorrentes podem na verdade usar o mesmo método, mas oferecer seus próprios materiais.
2) Qual é o melhor método para aprender línguas
Muita gente se pergunta ou pergunta a professores de línguas qual é o melhor método para aprender uma língua estrangeira. A resposta direta a esta pergunta é simplesmente: você é a melhor pessoa para decidir isso. Mas sua resposta só vale para você. Vejamos as razões:
- A idéia de que alguns métodos são melhores que outros não encontra muito fundamento nas pesquisas linguísticas. Embora professores de línguas, linguistas e outros especialistas tenham suas próprias preferências, a eficácia de um método não pode ser estabelecida com muita facilidade. Isto acontece porque há muitos fatores que interferem no processo de aprendizagem. Por exemplo, fatores afetivos e até culturais podem fazer com que um método considerado eficaz pelos profissionais do ensino e os especialistas na pesquisa de aprendizagem de línguas se mostre sem resultados em algumas realidades sociais ou dependendo do estilo de aprendizagem de uma pessoa. Hoje, costuma-se valorizar a chamada Abordagem Comunicativa, mas há pessoas que aprendem muito bem com outros métodos ou que na realidade estudam em escolas ou com professores que usam uma mistura de métodos (muitos professores se consideram ecléticos).
- Pessoas diferentes se adaptam a métodos diferentes. Você precisa, assim, identificar o método mais adequado para seu estilo de aprendizagem. Isto passa pelas suas preferências em termos de aprendizagem de línguas. Algumas pessoas não concebem imaginar aprender uma língua sem um estudo sistemático de gramática. Outras acreditam que só a repetição faz alguém realmente aprender. Ainda outros acreditam que língua se aprende usando em situações reais ou próximas às reais. Todas estas opções tem haver com métodos diferentes de ensino. Se suas preferências tornam um método quase insuportável é pouco provável que este dê os resultados esperados em seu caso. Assim, vale para as línguas o adágio "conhece-te a ti mesmo."
A resposta esta pergunta depende dos seus objetivos ao aprender uma língua. Para que você pretende usar seu conhecimento. Para viajar? Para fazer negócios? Para escrever textos na língua que você quer estudar? Ou apenas para ler? Você pode estar estudando uma língua por lazer, para se preparar para o mercado de trabalho, para fazer um mestrado ou doutorado, para viajar ou porque este conhecimento já é necessário em seu trabalho. Dependendo das condições que você tem para aprender, pode ser interessante focalizar uma habilidade específica, como a leitura por exemplo. Estudantes de mestrado ou doutorado precisam ler textos em língua estrangeira e precisam cumprir prazos para suas tarefas. Nesse caso, pode ser desnecessário entrar em um curso de idiomas que trabalhe com conversação. Já um executivo que ocupe um cargo numa multinacional dificilmente poderá se contentar apenas com a leitura. Enfim, sua situação pessoal, e não o que uma escola de idiomas diz define sua real necessidade.
4) Só se aprende uma língua morando em outro país
Não é onde você mora que vai definir se você vai ou não aprender uma língua. Claro que se uma pessoa mora em outro país terá muitas oportunidades para aprender e praticar a língua que deseja aprender. Mas novamente isto é relativo. Na verdade, para se beneficiar de uma estada no exterior, é necessário aproveitar de verdade as chances para falar e ouvir a língua. Se alguém, por exemplo, se muda para os Estados Unidos e vive em uma região com muitos brasileiros e portugueses, trabalha com falantes de português, cria laços de amizade com falantes nativos de português, não poderemos dizer que a mudança de país ajudará muito a aprender o novo idioma. Por outro lado, alguém que sem sair do Brasil aproveite as oportunidades que tem para falar, ouvir, escrever e ler a língua estrangeira poderá se desenvolver e muito. Em resumo, sua interação com a língua e o desejo de aprender são fatores mais determinantes do que a mudança para outro país.
5) Só se aprende uma língua estudando gramática
Esta crença é o resultado de uma prática milenar de ensino de línguas. De fato, desde os gregos, o chamado método gramática-tradução ocupa um lugar de destaque entre as metodologias de ensino de línguas. Mas durante o século vinte, muitos outros métodos de ensino foram propostos, enfatizando modos diferentes de aprender e em muitos casos explorando outros aspectos dos idiomas além da gramática. Métodos que dão ênfase à comunicação podem ser aplicados com pouca ou nenhuma referência à gramática. Assim, se você entrou em um curso de idiomas em que não se fala muito de gramática, isto não quer dizer que você não vai aprender.
6) A melhor maneira de aprender uma língua é com jogos (método lúdico)
Atividades lúdicas (como jogos e brincadeiras) se mostram muitas vezes eficazes no ensino de línguas. Isto ocorre, entre outras coisas, porque a aprendizagem é associada a situações prazerosas para o aprendiz. Este modo de ensinar é privilegiado quando o ensino é direcionado para crianças, embora o mesmo princípio possa ser aplicado a adultos e adolescentes. No entanto, não é todo mundo que se adapta a essa metodologia. Além disso, para serem eficazes, os jogos e brincadeiras devem ter um propósito claro para o professor. De nada adianta usar o lúdico pelo lúdico, apesar de ser possível propor uma brincadeira de vez em quando como estratégia para relaxar. Além disso, há certos pontos de uma língua que exigem uma atenção mais sistemática e detida. Na verdade, em qualquer campo, aprendizagem também exige esforço e para quem gosta do conhecimento, o prazer pode ser encontrado mesmo em atividades que exijam esforço, organização e disciplina.
Observações finais
Aprender é uma atividade humana. Portanto, sujeita às condições da existência humana, repleta de influências, algumas das quais inesperadas e até inconscientes. Por isso, seu desempenho na aprendizagem de uma língua pode depender de fatores que nada tem que ver com o método – sua identificação com o professor ou a professora, por exemplo, pode acabar sendo mais relevante.
Além disso, a aprendizagem – de uma língua estrangeira como de qualquer outra coisa – em muito depende de nossa motivação e dedicação e isto é algo que vem principalmente de dentro. Um bom professor, um método, um objetivo para a aprendizagem ou qualquer outra coisa pode afetar sua disposição e desempenho em aprender uma língua, mas a verdadeira questão é: você realmente deseja isso?
Ao longo da história as pessoas vêm aprendendo línguas independentemente dos métodos empregados. É também verdade que mesmo com tanto métodos grande parte daqueles que decidem estudar uma língua acabam não aprendendo. Minha contribuição nesse artigo foi tentar ajudar o leitor a desconstruir alguns mitos sobre a aprendizagem de idiomas e tomar uma decisão mais consciente com base em suas reais necessidades.
Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/como-escolher-um-curso-de-idiomas-6898029.html
Perfil do Autor
Sempre em busca do conhecimento e de oportunidades para aprender e compartilhar o saber - é isto que me traz realização pessoal e profissional. Foi, portanto, uma consequência natural enveredar pela educação e a pesquisa. Após me graduar em Letras, obtive o título de Mestrado em Letras e Linguística, construindo em seguida uma carreira da Educação Superior. Hoje atuo como professor e coordenador do Curso de Letras da Faculdade Alfredo Nasser (GO) e persigo insistentemente o saber nos campos da Linguística, Ciências Sociais, Psicologia, Teoria do Conhecimento e da Ciência, Expertise e Marketing Digital. São esses meus núcleos de interesse e para não perdê-los procuro compartilhá-los com outros. Foi esta a motivação para lançar em 2009 o blog www.temasetomos.blogspot.com.br

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